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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Review ● O Monge que vendeu o seu Ferrari

Aviso desde já que este livro não é para todos. Porquê? Porque tal como diz na capa é uma viagem espiritual. Muito new age, portanto.

O livro conta a história de um advogado de sucesso, que tem um ataque cardíaco, e que resolve mudar a sua vida. Faz uma viagem espiritual até à Índia, onde descobre uma aldeia de monges que lhe ensinam como viver uma vida longa, equilibrada e cheia de felicidade.
Quando regressa, procura o seu antigo mentorando para lhe ensinar estes truques/exercícios e filosofia de vida. É através deste diálogo, em que nos identificamos com o mentorando (céptico a tudo isto, mas que experiencia uma abertura de mente) que nos vai transmitindo estas técnicas, filosofias, etc.

Confesso que o livro não mudou a minha vida mas deu-me algumas coisas em que pensar, e houve outras que reconheci da Psicologia.

Por isso, se sentem que andam constantemente irritados, ansiosos, mal-humorados e querem uma forma de lidar com isso, este pode ser o livro indicado. Mas têm de ter mente aberta para o ler!


2.5/5

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Review ● O Perfume, de Patrick Süskind



As pessoas podiam fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podiam tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podiam escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguindo lá categoricamente entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio. Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.






Já li este livro há uns meses e gostei bastante. Já tinha visto o filme antes de o ler, o que não gosto de fazer, mas neste caso senti que até tinha sido melhor assim.
Para quem já viu o filme, digo que deviam ler o livro também. O filme está muito bem adaptado mas deixa de parte alguns pormenores e algumas cenas que explicam melhor o que acontece no filme (como seria esperado, de resto).
O que o filme não consegue transmitir é a escrita de Patrick Süskind. E só por esta valeria a pena ler 20 vezes O Perfume. É uma escrita intensa, rica em pormenores, envolvente e apaixonante. Só nos apetece ler mais.


O curioso deste livro é que às tantas me comecei a sentir um bocadinho neurótica, e a prestar muito mais atenção que o costume aos cheiros à minha volta. Está mesmo bem escrito, portanto.


 3.5/5



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Review ● A Viagem do Elefante

Não pensem que eu vou criticar um Nobel porque eu nem me atrevo a tal pensamento.
Só tenho a dizer que quem leu O Memorial do Convento e não gostou (ou não adorou como eu) devia dar uma segunda oportunidade ao senhor Saramago.
É que o tipo é mesmo cómico, deixem-me que vos diga. Ri-me bastante com este livro, com todo o sarcasmo que é usado e com as críticas que são feitas à nossa sociedade actual (o livro é de 2008).

Vou deixar-vos uma das passagens que ilustra bem o que acabei de escrever:

É natural que a alguém lhe pareça estranho que uma estalagem que ainda se encontra em território italiano tenha um nome alemão, mas a coisa explica-se se nos lembrarmos que a maior parte dos hóspedes que aqui vêm são precisamente austríacos e alemães que gostam de sentir-se como em sua casa. Razões afins levarão um dia a que, no algarve, como alguém terá o cuidado de escrever, toda a praia que se preze, não é praia mas é beach, qualquer pescador fisherman, tanto faz prezar-se como não, e se de aldeamentos turísticos, em vez de aldeias, se trata, fiquemos sabendo que é mais aceite dizer-se holiday's village, ou village de vacances, ou ferienorte. Chega-se ao cúmulo de não haver nome para loja de modas, porque ela é, numa espécie de português por adopção, boutique, e, necessariamente, fashion shop em inglês, menos necessariamente modes em francês, e francamente modesgeschäft em alemão. Uma sapataria apresenta-se como shoes, e não se fala mais nisso. E se o viajante pudesse catar, como quem cata piolhos, nomes de bares e buates, quando chegasse a sines ainda iria nas primeiras letras do alfabeto. Tão desprezado este na lusitana arrumação que do algarve se pode dizer, nestas épocas em que descem os civilizados à barbárie, ser ele terra do português tal qual se cala. Assim está bressanone.


numa palavra? sarcástico
uma pontuação? 4/5

próximo livro? O monge que vendeu o seu ferrari de Robin Sharma (a par do The Sealed Letter)



ps: reparei que não escrevi nenhuma review d'O Perfume! Mas hei-de tratar disso

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Review ● Kafka à Beira-Mar

Não pensem que sou uma grande critica literária nem nada do género. Mas gosto muito de ler e na semana passada terminei Kafka à Beira-Mar do Haruki Murakami.
Já tinha lido outros livros dele e à semelhança de todos os outros vi-me completamente envolvida nesta história. É um daqueles livros (leia-se autor) que não dá para parar de ler. É completamente viciante.

O livro trata de um rapaz de 15 anos, Kafka, a quem foi rogada uma maldição e que resolve fugir de casa para tentar escapar ao seu destino. Paralelamente, é contada a história de Nakata, um peculiar senhor de idade que tem a capacidade de falar com gatos. O destino destes dois cruza-se sem que eles nunca se cruzem. Os dois têm uma missão a cumprir e, apesar de não saberem, só o podem fazer juntos.
A história parece bizarra, e é. Mas é um bom bizarro. É um bizarro que só seria possível para um escritor japonês dotado de uma capacidade incrível de contar histórias. É uma narrativa cheia de simbolismos, onde a noção de alma está muito presente e omnipresente.



numa palavra? bizarro
uma pontuação? 5/5

próximo livro? Perfume de Patrick Süskind